Redescobrindo a rapadura

Dá pra ver ali no perfil do “quem escreve” que tenho um pé no Nordeste e me orgulho disso 🙂 Especialmente quando a gente vê as coisas de lá ganhando o Brasil e o mundo. Há um tempinho já vinha  pensando em dedicar um post a algo típico e estava esperando receber um sinal. Eis que o sinal veio após um carnaval nada badalado pela Terra do Sol, redescobri a rapadura!

Chegar na casa da minha mãe, em Fortaleza, é sempre algo inspirador, tanto pelas novidades quanto pelas comidinhas que nunca faltam: feijão verde com queijo coalho, cuscuz, tapioca, castanha de caju (do Seu Vicente), queijo de búfala, frutas e rapadura. E desses itens sempre presentes, nenhum é tão assíduo quanto a rapadura.

Desde criança, nunca faltou em casa. Desde criança visitava engenho. Mas já nem lembrava mais a última vez que havia visto tudo aquilo tão de perto. Eis que na estrada, a caminho da fronteira do Ceará com o Rio Grande do Norte, pude ver de perto e acompanhar o processo de fabricação rústica da rapadura. Esse doce que já foi muito conhecido como “comida de pobre”, hoje cai no gosto de grandes chefs.

Aprendi que esse símbolo do Nordeste e do Brasil teve sua origem provavelmente nas Ilhas Canárias, lá pelo século XVI, quando o Brasil ainda estava se descobrindo. A cana chegou por aqui lá pelo ano de 1532, bem no comecinho da nossa história, então vamos combinar, que a rapadura praticamente nasceu com o Brasil!

É da cana que se faz a rapadura. Primeiro eles tiram o caldo, depois vai tudo para um caldeirão para ferver um bocado, depois que atinge certa temperatura, o líquido é transferido para outro “panelão” e tem que ser mexido e mexido e mexido, UFA!, até atingir certa consistência. Nesse processo eles acrescentam um pó para deixar a rapadura mais clarinha, caso contrário, a rapadura ficará bem escura, cor de açúcar queimado mesmo. Depois é que eles transferem para uns tachos menores, nos quais as raspas dura de açúcar são mexidas e as vezes acrescidas de outros ingredientes, como coco e frutas secas… Ah, perceberam ali a origem do nome, né? Então, depois disso tudo é que eles colocam na forma retangular, que é a forma mais famosa da rapadura.

O processo resumido

Segundo o site do SEBRAE de Minas, a maioria dos produtores de rapadura, ainda a fazem de maneira rústica. O que é de fato, um processo sofrível para quem está ali, mexendo o tacho sem parar.

Esse antecedente do açúcar refinado é considerado mais nutritivo, pois é como se fosse um açúcar integral. Diferente do açúcar branquinho, que foi refinado e ficou praticamente só sacarose, nossa amiga rapadura tem uma série de vitaminas, como as vitaminas A, C, D, E e do complexo B e PP. Como não sou entendida da área de nutrição, não sei exatamente para quê serve cada uma dessas letras, mas mesmo assim, sei que isso e outros importantes minerais só podem ser melhor que algo que só tenha sacarose. Ou não?

Então, quem nunca provou, prove! Quem já conhece, se reapresente. Redescubra a rapadura, o Brasil e seus sabores. E se estiver de passagem pelo Nordeste, procure um Engenho. Nada melhor do que ver, para entender melhor.

Curiosidades!

Aqui algumas curiosidades, pratos e dicas com rapadura – o doce retirante que saiu do interior para ganhar o mundo 🙂

Royalties sobre o nome:

– Em 89, uma empresa alemã registrou o nome rapadura como seu e quem quisesse fazer uso tinha que pagar pra eles – arrã! Vender um docinho com nome nacional, pagando o direito do nome em Euro? Isso não durou muito, mas o suficiente para ter dado certa dor de cabeça pra algumas pessoas. Seis anos depois, a OAB e o Itamaraty sacudiram a rapadura!

Diferentes uso:

Molho: esse é para acompanhar uma carne suína, mas tem para peixe também

Sorvete:  tem várias receitas, escolhi a do Mais Você

– Matéria no jornal O Globo, falando de vários chefs que tem um prato com rapadura

– E um bolinho, ou dois. Com cobertura.

Turistando e aprendendo

Beijos de rapadura!

12 Comments Add yours

  1. Ana Cláudia diz:

    Oi Cath,
    Meus pais também são de Fortaleza e grande parte da minha família, me deu saudade de tudo e quando eu for agora em julho quero novas dicas…principalmente das castanhas do Seu Vicente, amo castanhas. bjos,

    1. cathvale diz:

      Oie! Ahhhh, bom saber que tem gente que nem, com origens lá pela Terra do Sol (= Olha, pode deixar que até julho passo dicas sim! Em breve, inclusive, vou dar uma dica de um restaurante de lá que “ui” é muito bom! E o Seu Vicente, das castanhas, fica lá no Mercado Central de Fortaleza, no térreo.
      Bjs!

  2. Landinha aus Tururu diz:

    O chocolate do sertão é a vitamina do povo nordestino. Gostei da contextualização histórica da “hocus pocus” “raspa dura” e finalmente, rapadura.
    E os outros derivados como o álcool, cachaça, caipirinha serão também privilegiados pela blogueira e futura chef.
    Vá em frente q a mamy, o Tonho, o Pudim e o Laddo te seguimos…

    1. cathvale diz:

      Chocolate do Sertão: é isso mesmo! Venha mais vezes por aqui, viu?! Bjs!!!!

  3. laudenice diz:

    ué, cada o seu Lunga ehehehe beijos docinhos, com gosto de tijolin 🙂

    1. cathvale diz:

      Hahaha, Seu Lunga é quase um post a parte (= Bjs doces pra ti tmb!

  4. Luciana diz:

    Não é beeem um utensílio, mas é pra usar na cozinha. Um sabonetão pra usar na mão da chef que corta cebola.

    1. cathvale diz:

      Tô sabendo e quero do mesmo jeito! Temos que agendar esse próximo encontro (= Vou ficar toda besta com meu sabô-chiquê – adooooro!

  5. Rosa do Carmo diz:

    Menina, você precisa provar as variedades de rapadura que tem no Sul de Minas, bem mais macias misturadas com batata doce, abóbora, etc…Você vai amar!

    1. cathvale diz:

      Quel legal, Rosa! De fato, conheço pouco o interior de Minas e nunca fui a um engenho mineiro. Valeu pela dica (= Bjs!

  6. Cleide diz:

    nossa!! ganhei uma rapadura de presente lá do sul de Minas
    Não sabia o que fazer, agora com estas dicas e da receita do bolo com cobertura de calda de rapadura Amei!!!!

    1. cathvale diz:

      Que bom que o post a ajudou, Cleide! E se fizer, conta aqui como ficou 😉 Bjs!

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