Açaí, na terra do açaí. Ai pecado!

pecado da gula

Toda ida à Belém é um misto de nostalgia, de muita alegria, de reencontros e de pecado da gula. Cada vez que volto na Capital do Pará, aproveito para matar a saudade dos sabores exóticos, típicos de lá. Me acabo! Mato a saudade e aproveito pra descobrir novos sabores, novas misturas, combinações e sigo provando. Aliás, os típicos sabores do Pará não me conquistaram fácil, a maioria provei muito antes de virar fã. Mas depois que aprendi a gostar… ai maninha, já era!

Com o açaí também foi assim, não gostava. Aí provei e provei de novo, e provei e gostei muito. Tanto, que quando menina, tentei fazer em casa. Uma dessas aventuras com minha amiga de infância. Tiramos, nós mesmas os frutinhos do cacho, deixamos de molho, amassamos com o fundo de uma garrafa e… ficou horrível! Mas mesmo assim, tomamos tudo.

Plaquinha vermelha, indica açaí. Só alegria! (foto do Iuri Fernandes)

Acho mesmo é que o paraense tem uma relação séria com o açaí. Não é esse modismo que vemos hoje se espalhando do Centro-oeste ao Sul, turbinado com guaraná, engrossado com banana, virando estrela dos esportistas, ou figurando como lanchinho entre uma atividade ou outra. Não. No Norte do Brasil o açaí é a base, não pode faltar, seja como prato principal ou como sobremesa.

Intensa. É assim a relação do paraense com o açaí. As palmeiras podem ser encontradas espalhadas pelos cantos da cidade. E se você quer comprar um açaí, basta procurar por uma banca ou casa com uma plaquinha vermelha na frente. Achou? Esse é um símbolo de que no local tem açaí. Aí você escolhe: grosso, médio ou fino, 1 litro ou meio.

O meu pecado da gula foi no Point do Açaí, localizado no segundo piso da Estação das Docas, um super complexo cultural e gastronômico de Belém, que tem uma belíssima vista para a Baía do Guajará. Nunca tinha ido no Point, até domingo passado (20/03/11). Depois de traçar uma porção de tucupi com jambu e de provar risotto de pupunha, ainda deixei um espaço reservado para, nada menos, que meio litro de açaí – do grosso(Em tempo: o Point do Açaí não funciona mais no Estação, mas em uma casa própria bem em frente ao Estação. O mais indicado é entrar no site deles para pegar os endereços. Sim, são dois Points.)

Açaí paraense, daquele que muda de cor quando se coloca mais açúcar. Açaí fresco, sem ser congelado, turbinado com farinha de tapioca. Ai, ainda morro disso, e morro feliz!

Eu gosto com farinha de tapioca, que são essas bolinhas aí que parecem isopor.

O legal do Point do Açaí é que ele oferece um super cardápio: açaí com peixe, camarão, farinha d´água, doce ou natural. Do jeito que o ribeirinho, tradicional daquela regional, já comia há muito tempo, até do jeito mais moderno. Como prato principal ou como sobremesa. O cardápio é simples, mas muito instrutivo e traz um pouco sobre o fruto, sua história e suas características.

“Égua maninhoo, te mete com o cardápio”

Me acabei! Tomei primeiro um pouco, as pessoas duvidando se iria tomar tudo. Tomei mais um pouco e, como ninguém queria compartilhar, terminei logo tudo. Sorriso largo, todo manchado, mas nem me preocupei, pois faz parte do ritual. Pra quem se importa eles dão uma escovinha de brinde.

O diacho não são os dentes pretos, mas a moleza que a gente sente depois. Ah, uma rede!

Carinha de lesa, com os dentes bem roxos e o brinde pra os que se importam com o roxo (=

Além de poder provar, você pode comprar um “saco de açaí” pra levar pra casa – batido na hora, ou congelado. Infelizmente não comprei lá porque ainda tava batendo-perna, mas fica a dica. Esse é um souvenir bem original. Aliás, a coisa mais comum é ver o povo deixando Belém com um isopor cheio de lembranças saborosas, dentre elas, o açaí. É fácil demais de transportar: basta congelar, colocar no isopor, despachar e pegar depois. A cia área coloca num saco meio feioso, mas que protege o tesouro. Mas se preferir, pode pagar uma embalagem mais botinha – não me dei ao trabalho.

Coloquei no isopor o pacote já congelado e chegou ótimo!

Pronto, agora você já sabe como trazer açaí de fora e já sabe também onde pode ir pra provar um legítimo açaí. Tá esperando o que? Como diz o Ministério do Turismo: “Viagem é para Toda Vida, Viaje por Todo Brasil”. Ei, e se tu fores por Belém, traz um presentinho pra mim, traz?

Beijos roxos de açaí!

Notinhas:

  • Quer entender melhor a relação dos paraense com o açaí, escuta essa música do cantor e compositor paraense Nilson Chaves: Sabor Açaí, ah essa aqui é ÓTIMA tmb, com um arranjo 10, chama Da Minha Terra.

Quer saber o que é jambu, tucupi e pupunha? Guenta, que uma hora sai um post. Tá morrendo de curiosidade, ah, então manda um e-mail pra mim 🙂

Açaí, frutinha rica tmb em cultura, né?

19 Comments Add yours

  1. Cath, tenho um negócio próprio em que tudo gira em torno do Açai, e por isso adorei esse post.

    Obrigada.

    1. cathvale diz:

      Fico feliz que tenha gostado. Já vi lá no seu blog – valeu pela referência (= Espero que tenha vindo aqui pelo açaí, mas que volte pelas tantas outras coisas 😉
      Abrs!

      1. Claro que vou voltar, já subscrevi o seu blog.

        =)

  2. Inclusive republiquei o seu post.

    =)

    Pode ver em http://blogconceito.pt.vu

  3. tamy diz:

    Ai Cath, que invejinha… quero muito tomar um tigelão com farinha de tapioca!!! Ai ai…

    Beijok

    1. cathvale diz:

      Vai tomar, Tamy, mas do médio – que foi o único que consegui comprar, rs! Bjs!

  4. Landa a Paraense-Cearense diz:

    Açai é ferro, vida e “guloisema” com farinha de tapioca/açúcar e refeição com farinha e camarão. Bom Apetite!

    1. cathvale diz:

      Guloseima é uma boa também (= bom apetite pra nós!

  5. Cy diz:

    Pegaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa Maninhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
    Eu fui, provei, me acaabeeiiiiiiiii !
    É tdb… aliás tudo de Belém é magnífico :))

    1. cathvale diz:

      Cy!
      Adorei o “pega maninha” (= eita saudade de Belém!
      Bjs!

  6. Chris diz:

    Cath, eu sou uma das pessoas que já provou açaí em muitas combinações e não consigo me identificar com ele… 😦
    No problema deixo todas as minhas porções pra você e para Amore rsss

    Beijos

    1. cathvale diz:

      Não lhe culpo Chris, eu “perdôo”, rs. Eu gosto muito, mas como disse, provei várias vezes. Mas, vai entender, já provei VÁRIAS vezes azeitona e pastel e não consigo gostar 😛
      Beijos!

  7. Amadeu Farage Frade diz:

    Aí Cath , nota 10 sua iniciativa em compartilhar a experiência com o nosso açai.

    1. cathvale diz:

      Curtiu? Aguarde que ainda vai ter jambu, tucupi, cuia…. gosto de mostrar as marcas, as modernidades, mas também ADORO mostrar o regional e o tradicional. É nós!
      Beijos!

      1. lucilene diz:

        Acabei de ler, deu muita agua na boca. A gente pede no aereoporto pra eles embalarem é? Quanto sai mais ou menos?

      2. cathvale diz:

        Você pode comprar no aeroporto, que é mais caro, ou comprar onde preferir e levar já em um isopor para o aeroporto. Eu prefiro comprar em uma das redes de supermercado ou no próprio Point do Açaí. O preço dependerá do tipo de açaí, se grosso, médio, ralo, e de onde estiver comprando, se em uma feira ou em lojas. O litro do grosso vai de 7 a 12 Reais.
        Bjs (=

    1. cathvale diz:

      Que bom (=

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