Le Cordon Bleu, Paris. A realização de um sonho culinário

Eu e Chef Terrien ao final da aula. Ele é bem legal e engraçado.
Eu e Chef Terrien ao final da aula. Ele é bem legal e engraçado.

Gosto muito da ideia de “cozinha intuitiva”, seguir seus instintos e intuições para criar algo do seu jeito, sem respeitar a receita. Mas também adoro ler e aprender com quem já ralou bastante. Por isso mesmo, curto tanto ler sobre culinária e adoro ter aulas práticas. Logo, quando  estive na Europa da última vez, corri atrás disso: aula de culinária em Paris! Fiz um workshop na Le Cordon Bleu. Foram “só” seis horinhas, mas valeu muito!

Para quem não conhece, a Le Cordon Bleu, que existe desde 1895, é uma das mais renomadas escolas de gastronomia e hotelaria do mundo. Uma escola com muita tradição, que tem base nos fundamentos e técnicas da culinária francesa. A escola já teve alguns tantos alunos famosos/ celebridades, fosse fazendo o curso completo, fosse de passagem para um workshop. Recentemente (2009/2010), a escola ficou ainda mais famosa depois do filme Julie&Julia (sobre o filme em inglês  e em português) . Pois Julia Child foi estudante lá e uma celebridade nos EUA pelo seu programa televisivo. Hoje, já há até workshops em sua homenagem.

O curso que eu fiz foi de verrines, que nada mais é do que comidinhas em copinhos, ideais para coquetéis e entradas. Verrine é uma palavra francesa que literalmente significa “vidrinhos” ou melhor “copinhos de vidro”. O nome do curso em inglês é “Shot glasses, ideas and techniques” (em francês: Les verrines, idées et techniques). O curso foi ministrado pelo chef Patric Terrien, em francês com tradução simultânea para o inglês. Fizemos cinco verrines: três salgados e dois doces. Segue o menu de Verrines:

  • Céviche de cabillaud, gaspacho coco (ceviche de bacalhau fresco, gaspacho de coco)
  • Vichyssoise trufée et sa quenelle de champignons (sopa fria de batata e alho poro com ‘quenelle’ de cogumelo)
  • Gelée de concombre à la rose, crevettes au curry (gelatina de pepino com rosas, curry de camarões)
  • Panna cotta au basilic, fraises au balsamique (panna cotta de manjericão com morangos e calda de balsâmico)
  • Ananas et rhubarbe et son crumble (abacaxi e ruibarbo com farofa doce – mas o meu foi feito com maçã ao invés do abacaxi, pois sou alérgica)

Particularmente amei a sopa fria de batata e alho poro com quenelle de cogumelo, trufas em conserva e aroma de trufas (mais sobre trufas aqui). Quenelle é um tipo de “bolinho”, que tem um formato oval, de três lados, modelados, normalmente, com duas colheres de sobremesa. O comum é fazer com peixe ou carne, mas há as versões vegetarianas, como essa com cogumelos e trufas negras. Se quiser saber mais, não indico o Wikipédia em português, mas em inglês, e um link para a BBC.

Da esquerda para a direita: vichyssoise trufée et sa quenelle de champignons; gelée de concombre à la rose, crevettes au curry & panna cotta au basilic, fraises au balsamique
Da esquerda para a direita: vichyssoise trufée et sa quenelle de champignons; gelée de concombre à la rose, crevettes au curry & panna cotta au basilic, fraises au balsamique

Já a tal geleia de pepino com água de rosas não foi muito para o meu paladar. O gaspacho ficou 10! O ceviche não é minha praia, mas posso dizer que já comi bacalhau fresquíssimo – que é coisa rara por aqui. Já a minha amiga Ceará, que provou de tudo, aprovou o ceviche e a geleia de pepino, mas não curtiu muito o meu favorito. Viva à diversidade de paladar e de sabores!

A escola e a aula

A faixada da Le Cordon Bleu em Paris. Em um bairro tranquilo, longe dos centros turísticos de Paris.
A faixada da Le Cordon Bleu em Paris. Em um bairro tranquilo, longe dos centros turísticos de Paris.

Imaginava a Le Cordon Bleu como uma coisa enorme e quase impessoal. Para minha grande surpresa a escola não é tão grande e o clima entre os alunos parece mesmo é de uma escola onde todos se conhecem. Dentro há uma área comum com várias mesinhas, que mais parece um café, tudo com as cores clássicas da escola: o azul e o branco. Aliás, Le Cordon Bleu significa fita azul e há várias histórias por trás disso. Fato é que a fita é azul representa algo de excelência.

Os alunos são facilmente identificados pelo uniformes de futuros chef: dólmã da escola, com um crachá que identifica cada um, calça e sapatos também padronizados. Realmente, eles parecem os chefs do desenho Ratatouille – já falei disso no post sobre dólmã. Os chefs-professores identificamos mais facilmente pelo “chapéu alto”, que só os chefs usam e pelas dólmãs com seus nomes bordados. E a “ralé” que está lá só para um workshop, como eu, você identifica pelo avental – que aliás, você guarda como recordação, junto com o pano de prato personalizado. Rá!

As cozinhas-salas de aulas são todas conectadas umas com as outras e até chegar na nossa cozinha, passamos por alguns corredores, subimos umas escadas e durante esse curto percurso vários aromas e cheiros deliciosos exalavam de cada local. Cheiro de bolo fresquinho de um lado, de uma boa massa de outro, de algo com carne mais adiante. Puro delírio para mim!

Na sala éramos 12, entre franceses, americanos, canadenses, japoneses, chineses e eu, a brasileira.

Em ação!
Em ação!

A cozinha muito bem equipada, toda em inox para facilitar a limpeza, inclusive a maioria dos utensílios e todas as vasilhas. Meu mise en place já estava pronto quando cheguei. Mise en place nada mais é que: colocar as coisas no seu lugar, antes de começar a cozinhar. No wiki em português, até mostra como pronunciar (misã plá).

Meu mise en place quase tudo pronto. O resto era a gente que tinha que preparar (=
Meu mise en place quase tudo pronto. O resto era a gente que tinha que preparar (=

É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que as vezes mais parece que o povo tá brigando. Luta constante contra o tempo, vários pratos sendo preparados simultaneamente. Começamos preparando uma parte do terceiro prato, depois cortamos as coisas para o segundo e colocamos na panela, voltamos ao primeiro para deixar algo marinando … olha, não indico para iniciantes! Ali você tem que assoviar e chupar cana. Prestar atenção nas instruções, preparar tudo e ainda anotar simultaneamente.

Preparando a receita, anotando e ainda tirando foto. Ufa!
Preparando a receita, anotando e ainda tirando foto. Ufa!

Se valeu a pena? Não tenho dúvidas! Ainda não preparei nenhum verrine aqui em casa, mas já preparei a sopa de batata e alho poro na versão quente. E outros truques que aprendi na aula, me vejo já repetindo na minha cozinha.

Legal, né?
Legal, né?

Aliás, eu sempre indico aulas, workshops e afins para quem curte cozinhar. Não para se profissionalizar, mas para aprender a se soltar um pouco mais na cozinha, para ganhar mais confiança e, especialmente, para socializar e fazer coisas que você duvidava que era capaz de fazer.

Alguns dos meus verrines
Alguns dos meus verrines

Adorei meu workshop na Le Cordon Bleu e indico para os aventureiro e para os profissionais – para qualquer um que já tenha uma certa noção de cozinha.

Vai à Paris, quer fazer um “passeio” diferente? Faça sua matricula online e vá lá aprender, se divertir e comer (se quiser ajuda com o caminho das pedras, manda um e-mail pra mim!). Aqui por Brasília, já fiz curso com a chef Daniela Loyola (cupcakes), já vou fazer minha terceira aula com a chef Tâmara Rolim  e em breve, devo ir fazer outro workshop, mas não em Paris, nem em Brasília. Onde? Aguarde!!! Até lá fico aqui pensando se traduzo uma receitinha da Le Cordon Bleu pra cá. Será?

Beijos azuis!

Meu souvenier da Le Cordon Bleu: um chaveiro com um fouet (=
Meu souvenier da Le Cordon Bleu: um chaveiro com um fouet (=

25 Comments Add yours

  1. tamy diz:

    Que chic eu por aqui mais uma vez… e num post da Le Cordon Bleu!!!! Demais!!!! Adorei… beijos

    1. cathvale diz:

      NutriChef e Le Cordon Bleu, eu gosto do que é bom 🙂
      Beijos!!!

  2. Cath, adorei o post!!!!!!!! Que máximo deve ser! A dica vai pro caderninho!!
    Beijos,
    Heide

    1. cathvale diz:

      Oi Heide! Foi o máximo sim. Quando cheguei lá nem acreditava que realmente estava lá. Parecia criança. Uma sensação muito gostosa. Anote a dica e se precisar de ajuda, só avisar, que será um prazer!
      Beijos!

  3. Luciana diz:

    Como diria tua sobrinha: -MEDUCÉEEEEU! Que chique essa musa do cacuriá! kkkkkkkk

    1. cathvale diz:

      Tá vendo, da Cordon Bleu pro Cacuriá. Isso é que é diversidade 😀
      Bjs!

  4. Fabiana diz:

    Ô mulé chique!

    1. cathvale diz:

      São seu olhos 😛

  5. samea diz:

    Chef Tururu,
    O ceviche estava show!
    Ah! ficaste muito bem na foto diante da fachada da Le Cordon Bleu. Quem tirou essa foto tão bem batida?!

    1. cathvale diz:

      Pois é, e era ceviche de bacalhau fresco – quem diria! Nem vou contar pra ninguém que é fácil demais fazer ceviche 😛
      Quem tirou minha foto? A fotografa particular que levei na viagem, hahahaha.
      Beijos!

  6. E eu, beneficiário maior, até sei onde serão os próximos cursos… Meu Deus, acho que vou ter que comprar uma esteira!

    1. cathvale diz:

      Hehehe, segredo sobre os próximos cursos 😉 e prometo que vou moderar na comilança em casa 😛

  7. tamy diz:

    Oi Cath, pode ser um pano de prato ou uma fralda sim… mas tem que ser novo ou bem lavado e passado para não contaminar o iogurte. Ele não derrete não, fica quase na consistência de um cream-cheese.

    Respondido???

    Beijos

  8. Tenho feitos diversos cursos no SENAC na cidade de Florianópolis-SC -onde resido.
    E uma das exigências, naturalmente, é o uso de “touca” para esconder os cabelos tanto femininos como masculinos; é uma questão grande de higiene. Vejo, com surpresa, que nesta famosa escola o seu uso não é exercido pelos alunos. Estranho não é?
    Ademais estou feliz com a abertura de uma escola no Rio de Janeiro – quem sabe teremos bons workshops.

    1. cathvale diz:

      Pois é Ivo, também me impressionei que eles não tenham dado nada para gente. Mas os alunos regulares que lá estava, todos estamos com touca. Vá saber…. De qualquer forma, havendo a oportunidade, vale a pena fazer um workshop 🙂

  9. Dionizio Gonzaga diz:

    sonho meu entrar na Cordon Bleu…….chegarei la

    1. cathvale diz:

      Ah Dionizio, se não d para entrar ainda, pelo menos dá pra fazer alguns cursos livres 😉 tomara que entre e realize seu sonho 😉

  10. Leonardo Carmo diz:

    Oi td bem? Eu descobri esse site em uma pesquisa e começei a ler os artigos e não parei mais, acho que viciei kkkkkkkkkkkkkk olha sou chef a alguns anos formado em Portugal, e sou apaixonado pela Le cordon Bleu e você descreveu muito bem o seu entusiasmo diante do chef Terrien que é um mega profissional, enfim só queria deixar aqui minha adimiração pelo seu trabalho aqui e te parabenizar pois é em pessoas como você que o encanto por gastronomia vibra em mim a 16 anos… Abcsss e vou segui-la rsrsr

    1. cathvale diz:

      Oi Leonardo! Fico feliz que tenha gostado. É uma honra saber que um chef circula por aqui e curte o utensílios 😉 E você conhece do chef Terrien, que legal!!!!
      Bom, espero que você continue seguindo e que eu não o decepcione 😉
      Abraços!!!

  11. baumdimais diz:

    Olá, recentemente descobri que sou apaixonado por cozinha, e tenho testado algumas receitas que tem agradado bema quem prova.
    Pretendo um dia, nem que seja quando aposentar fazer um curso completo de culinária em Paris. Até lá vamos fazendo o que dá né rs. Moro em Brasília e gostaria qu me indicasse algum minicurso ou workshop or aqui. Grato.

    1. cathvale diz:

      Olá Pedro! Você busca que tipos de cursos? Estilo profissionalizantes ou de recreação? Já dei aula por exemplo na NutriChef, que é uma ótima escola, mas o foco maior é em gastronomia recreativa, como a maioria dos cursos aqui oferecidos. Para mais profissionalizantes, o ideal é o SENAC ou mesmo o IESB, porém os cursos são mais longos, não somente de uma única aula. O SENAC em SP também oferece ótimos cursos mais curtos, com foco em profissionalizar, é sem dúvida mais barato que Paris 🙂 E agora a Le Cordon Bleu chegou ao RJ, quem sabe lá? Espero que isso já lhe ajude (= Sucesso!!!

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